domingo, 14 de outubro de 2012

Queixam-se de quê?




Acabei de ler o último post do meu amigo voza0db no seu esplêndido blogue.
Tenho constatado que as pessoas ficam ofendidíssimas quando se lhes diz que ir para a rua protestar (ou ouvir uma musiquinha, como foi o caso desta última manifestação!) de nada adianta. Ofender-se-ão porquê? Será porque são incapazes de vislumbrar outras soluções? Será porque intimamente precisam de uma multidão que consolide a razão que pensam ter? Mas afinal onde está essa razão? Andar em rebanho a balir em coro não é, nunca foi, sinónimo de razão!
A união que se pretende não se obtém de um ajuntamento cego de massas interiormente divergentes mas sim de uma consciência individual madura e direccionada para uma sustentabilidade global.
A grande maioria das pessoas que se indignam em público sempre teve o mesmo comportamento em privado. Insistem em repetir indefinidamente os mesmos erros achando que algo exterior a elas, um milagre pois, há-de resolver a situação só porque estão indignadas.
Por que não um exercício individual de pensamento, uma análise individual e conscienciosa à raiz dos males? Por que não procurar uma solução na diferença em vez de insistir na destrutiva repetição de velhos comportamentos divisores e comprovadamente errados?
Já cansa este ritual sucessivo de maus governos e indignações inertes. Já aborrece este ziguezaguear masoquista entre dois partidos como se nada mais existisse. Já enjoam a memória curta e a ingenuidade lamentável dos protestos de rua.
Meus caros semelhantes, se continuam a alimentar partidos, nutrindo assim divisões e conflitos, se continuam a prestar vassalagem aos seus representantes com vénias de nariz no chão e salamaleques como se de senhores feudais se tratasse, se continuam a ouvir os discursos políticos como se fossem escrituras, se continuam a seguir o caminho que lhes é imposto e nem sequer se questionam sobre a existência de outros, afinal, queixam-se de quê?
Com franqueza, a paciência tem limites e eu também tenho direito à minha indignação!

 

35 comentários:

  1. Boa noite, Isabel.
    Enfiando eu a carapuça, cá vai.
    Tem absoluta razão naquilo que escreve, apenas discordo, justamente, no que diz respeito às manifestações. Esta forma de protesto, legítima e com efeitos, só acontece porque cada pessoa interveniente faz, ou fez, aquilo de que fala, "exercício individual de pensamento". Daí eu achar que é sempre uma minoria, extensa, que se manifesta. Os restantes, por ausência dessa reflexão crítica individual, não vão. Obviamente que esta questão não pode ser vista enquanto preto e branco, está precisamente na escala de cinzentos, onde acho que eu e a Isabel nos enquadramos, a responsabilidade de despertar essa consciência, de agitar, de mobilizar, sejam acções, seja pensamento.
    Em rigor, estamos de acordo em relação ao conteúdo da crítica ao que nos rodeia, apenas divergimos na forma de acção. Eu acredito na rua mas apenas lá cheguei através da minha consciência, do meu processo de aprendizagem. Obviamente, tentarei lutar sempre contra o tal rebanho que balê em coro.
    Irei continuar a passar por aqui, agora que descobri. Continue.

    Cumprimentos

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    1. Caro Rui, é um enorme prazer recebê-lo aqui!

      E depois deste seu comentário, vejo com alegria que é muito mais o que nos une do que o que nos separa! Desculpe a frase feita, mas neste caso assenta como uma luva! :)

      Todo aquele que luta porque em si próprio descobriu não só a sua própria razão mas também a de todos ou outros é um verdadeiro guerreiro!

      Abraço!

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  2. Olá Isabel querida...

    Ainda sobre a dança dos partidos em Portroikal, o que me deixa ficar fora de mim, é quando os cegos dizem:

    "São todos iguais", ou então "Faziam pior que estes!"

    Minha vontade é aplicar um golpe que os deixe em estado de vegetação durante +-10 minutos e desaparecer do local... Infelizmente sou muito dado à não-violência física, pelo que insisto (tal gota de água a bater nos calhaus) e lanço a pergunta simples "Como é que podes afirmar tal coisa se esses tais que dizes que "são todos iguais" nunca tiveram a hipótese de demonstrar se o são ou não?"
    É claro que os cegos (e calhaus!) não têm a capacidade de responder a singela questão, e como seus cérebros estão infectados pelo vírus da formatação social e educativa, continuam a debitar sempre a mesma diarreia cerebral que se materializa em 38 anos de governação PS/PSD/CDS...

    Eu continuo a pensar que se a Maioria souber o que é que é preciso fazer para se começar a MUDAR O SISTEMA, aceitarão de bom grado o O.E.2013 e se calhar até pedem mais!

    Temos de PERDER MUITO... Apesar do muito que temos a perder não ser nada de fundamentalmente necessário para continuarmos a VIVER EM SUSTENTABILIDADE FÍSICA E PSÍQUICA!

    Bjhs

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    1. Meu querido amigo, é isso mesmo: rejeita-se a priori o que não se conhece por mera extrapolação do conhecido! E esta inércia é o maior inimigo do desenvolvimento e da sustentabilidade!

      E olha, esta tua última frase "Temos de PERDER MUITO... Apesar do muito que temos a perder não ser nada de fundamentalmente necessário para continuarmos a VIVER EM SUSTENTABILIDADE FÍSICA E PSÍQUICA!" é absolutamente bombástica!Acho até que fiquei com ciúmes por não ter sido eu a escrevê-la! ;)

      Beijinhos

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    2. :lol: Já sabes que podes utilizar tudo o que é meu como se fosse TEU... E não são necessárias referências...

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    3. Eu também sou da opinião que a solução está na "RUA", pena é que está é a ser muito mal orientada... Como já disse a Assembleia da República é apenas uma fachada, temos que ir para lá dela... Ir à fonte do poder que controla a actual Sociedade!

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    4. Sim, na rua sim, desde que seja com o civismo e a maturidade com que a Islândia o fez!

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  3. Olá Isabel, Rui e Voz,

    Eu quero ver quantos desses indignados se vão juntar a um movimento de cidadania tipo o da Irlanda, para tentar mudar o rumo deste País e depois falamos, OK? Mas se tiverem outra solução viável avisem.

    Beijinhos

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    1. Oh Fadinha, infelizmente a mentalidade lusa está a anos-luz da mentalidade irlandesa!

      Beijinhos

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    2. UPs... Queria dizer Islandia.
      Outra coisa que quero dizer, é que se somos derrotistas antes de começar a batalha, o melhor será bater em retirada antes da guerra começar. Falo por mim e falo a contar que os outros sejam como eu, ou seja, primeiro tentamos e se falhar, então podemos dizer mal dos que estão desorientados e até de nós próprios.

      Beijinhos

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    3. Sim, Fadinha, estou de acordo. E o nosso problema é precisamente esse: andamos em círculos, como cão atrás da cauda,e não damos oportunidade a opções que estão para além da cauda!

      Beijinhos

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  4. Não é preciso recuar muitos séculos para encontrar crises tremendas, todas potencialmente fatais para a nossa nacionalidade: as grandes fomes durante as duas grandes guerras, a invasão napoleónica e espanhola, a guerra colonial e o choque petrolífero. Sobrevivemos a todas, com uma resiliência notável e cá estamos hoje, enfrentando mais uma, não a derradeira, mas a seguinte grande crise nacional.

    Não temos a sabedoria cívica que nos impede de impedir que sejamos governados por idiotas, nem a sapiência para gerar elites de qualidade e valor, que pela via do Exemplo e da Liderança possam conduzir o país para pradarias mais verdejantes, mas temos uma resistência, uma adaptabilidade, uma flexibilidade e energia anímica que nos têm salvo em cada uma destas crises.

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  5. Isabel,

    Sou um grande admirador de VOZ, como os que seguem os nossos blogues sabem, e penso como ele que o sistema é que está errado.

    É preciso mudar os paradigmas estabelecidos, procurar uma uma solução, com efeito dentro do próprio sistema penso não ser possível, quando o que está errado e em causa é próprio sistema.

    Não digo, nem nunca disse que as pessoas que genuinamente se revoltam em manifestações após manifestações não tenham razão, tem-na toda, mas já cansa de manifestações, é giro, apenas isso. São promovidas e estimuladas pelo poder instalado, com direito a directos televisivos e helicópteros, mas já cansa.

    Penso que o "sistema" está-se a aproveitar dessas inúmeras e saturantes manifestações para que estas sirvam de escape.

    Uma coisa que reparo é que tudo isto é muito bonito, mas não existe qualquer proposta concreta no meio de tudo isto, muito folkloro, muita musica, muita cerveja, muitos charros, muito boas intenções, mas mais nada.

    O problema é o que fazer com essas manifestações e não vejo nada de concreto.

    Um beijo

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    1. Caro Dr. Octopus, é exactamente isso! Partilho totalmente do seu ponto de vista.

      Pessoalmente, entristece-me de sobremaneira ver este tipo de protestos tão cheios de intenção e tão vazios de acção e solução! E como já tantas vezes disse, só uma mudança qualitativa na mentalidade poderá gerar protestos e movimentos com o nível de eficácia dos da Islândia.

      Beijinhos

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  6. Querida Fadinha, subscrevo!

    Temo, no entanto, que dada a conjuntura global, as nossas qualidades, que tão bem descreveste, não sejam suficientes para enfrentar todos os demónios que nos atacam dos quatro quadrantes! Precisamos abrir bem mais os olhos.

    Beijinhos

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    1. Pois... mas eu queria que apresentassem, os que não concordam com as manifs do povo, alternativas... soluções reais. Têm de as ter para se sentirem tão seguros!

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    2. E que tal uma mudança radical nos padrões educacinais instituídos? E se as crianças começassem a ser educadas nos valores de benefício colectivo em vez de serem incentivadas à competição, ao consumismo e à futilidade?

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  7. Um breve exemplo...

    Uma das minhas soluções é "Encerrar os Mercados Financeiros"
    Imaginem então quantos é que estarão a favor desta medida?

    Vá... fico à espera!

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    1. Arranja uma estratégia, Voz... Eu sou a favor! :)

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    2. Voz, acrescenta lá os Off-shore's e estou contigo na cruzada.

      abraço
      Krowler

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    3. Sim, a eliminação dos mercados financeiros seria uma solução, mas tão poucos concordariam...

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  8. Deixem-se estar assim que já têm os olhos abertos.
    O problema são aqueles que nasceram a dormir e assim continuam. A boa noticia é que cada vez mais gente vai devagarinho abrindo os olhos. A má noticia é que ainda são muito poucos.
    Quanto ao sistema, ele está a evoluir, no mau sentido. Pode ser que devido a um ero de cálculo ou coisa que o valha, as coisas comecem a tomar um rumo diferente.
    Mas a resposta estará sempre na rua, fora dos corredores institucionais.

    krowler

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    1. Essa é a resposta certa Krowler, dar tempo ao tempo e no entretanto, saír para a rua e espernear. Fazer barulho e mostrar que estamos cá.

      Beijinhos a todos.

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    2. Quem dera, caro Krowler, que as coisas começassem a tomar um rumo diferente, nem que fosse por um erro de cálculo! Mas, infelizmente, as bestas que governam o mundo têm mão cirúrgica...

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  9. Olá Isabel,boa noite!
    E aos queridos amigos que acima expuseram seus pensamentos meus cumprimentos :-)

    Quanto ao assunto em questão é fato a indignação de todos, e obviamente a concordância ou a discórdia.Acredito que as coisas realmente irá mudar somente quando houver uma intervenção que não compete a nós humanos.
    Somando a idade de cada um de nós quantos anos daria?
    Sendo assim,pergunto o que mudou com todas as manifestações que já aconteceu?
    Sim posso estar sendo descrente,pessimista,negativa, e tal mas eu realmente não acredito que todas essas atitudes iram mudar alguma coisa.

    O exemplo da Islândia é louvável, claro que sim.Porém é um fato isolado, quando as pessoas conseguem ter uma ideia única do que é preciso fazer para mudar o curso de suas vidas e todos em conjunto agem igualmente, não com pensamento egoísta, vemos que funciona.
    Agora fiquei pensando isso daria certo por exemplo aqui no meu país? A contar pela grande diferença que os números nos mostram digo que é pouco provável, a Islândia tem uma população de:313,183/ o Brasil tem uma população de: 193.946.886 se estou errada por favor me corrijam.

    Beijos da Pri

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    1. Olá Pri!

      Pois é, infelizmente nada muda com as manifestações. O que tem de mudar primeiro são os valores, o pensamento e a consciência humana. Caso contrário será um eterno remar contra a maré!

      Beijinhos

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    2. Olá Pri,

      Eu também não sou muito optimista quanto a mudanças, mas além da Islândia temos no horizonte outra provável 'mudança': A Catalunha

      Existe a possibilidade da Catalunha avançar para um estado separado de Espanha. Os separatistas representam 2/3 da população e vão a votos a 15 de Novembro. Vamos ver o que dá.
      Recentemente na Bélgica está tambem a nascer um movimento separatista parecido com a Catalunha.

      abraço
      Krowler

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  10. Acabar com o sistema financeiro ou mudar a Educação, são hipóteses utópicas. Não se consegue mudar o sistema de cima para baixo, mas sim ao contrário... a não ser que tenham bastantes células terroristas ao vosso comando com as mesmas condições de actuação dos serviços secretos.
    Continuo a dizer que são as massas que conseguem a mudança de um sistema e já dizia Karl Marx:

    "A concorrência isola os indivíduos uns dos outros, não apenas os burgueses, mas também e mais ainda os proletários, se bem que os concentre. É por este motivo que decorre sempre um longo período antes que os indivíduos se possam unir, abstraindo do facto de que - se se pretender que a sua união não seja puramente local - esta exige préviamente a construção dos meios necessários pela grande indústria, tais como as grandes cidades industriais e as comunicações rápidas e baratas, razões porque só depois de longas datas, se torna possível vencer qualquer força organizada com indivíduos isolados e vivendo em condições, que recriam quotidianamente esse isolamento. Exigir o contrário equivaleria a exigir que a concorrência não devesse existir em determinada época histórica, ou que os indivíduos inventassem condições sobre as quais não têm qualquer controlo enquanto indivíduos isolados."

    O que eu penso é que exigem demais.
    Beijinhos

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    1. Fadinha... Estava eu a acabar de escrever uma daquelas minhas diarreias de letras quando a salvação divina te livrou de leres tal martírio... A luz foi-se... E levou consigo o meu comentário que acho que até já estava com excesso de letras!!!

      Assim sendo e como se era uma diarreia a "coisa" agora já normalizou e apenas consigo deixar aqui um pequeno resumo do que tinha escrito...

      Salvé disjuntores trifásicos!

      eheh

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  11. Ora aqui vai uma sugestão: http://www.maisdemocracia.org/maisd/

    E quando isto estiver pronto e se vos vejo a fugir com o rabiote à seringa... ou porque é conforme ao AO, ou porque tem Forças Armadas, ou porque está na UE... vai ser bonito! :))
    Aí sim, poderei dizer que andam às voltas atrás da cauda. eheheh!!!

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    1. :) Pois... prometo que vou ler com atenção! Mas como eu sou muito obstinada, Fadinha, continuo a achar que a verdadeira mudança tem de ser individual antes de ser colectiva! ;)

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    2. Ó Fadinha... Não me digas que isso é a nova Bíblia e que ninguém pode criticar... Mau Mau...
      Todas as criticas que fiz foram curtas e justificadas... E se queremos MUDAR REALMENTE devemos ser perfeitamente CLAROS E HONESTOS sobre qual a VISÃO A LONGO PRAZO do que pretendemos... E eu pretendo algo de diferente, mas isso sou EU, que infelizmente PENSO... E no meu PENSAR não vejo espaço para A.O. imposto por um Governo Centralista, nem para Forças Armadas, nem para União Europeia...
      Isto, claro está, não invalida que deixe de participar no movimento das forças armadas!!! Ai não é este... eheheh

      Vá lá...
      Bjhs

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    3. Estou com a Isabel a 200%... Se o EU não MUDAR o Colectivo, que é simplesmente, um agregado de EU's também não MUDA... Nem que a galinha ganhe dentes (sem ser geneticamente modificada obviamente!)

      Bjhs

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  12. Olá Voz...eheheheh!! eu sabia que ías refilar!

    Já te disse que de bíblia isto não tem nada e já te disse que podes criticar. Cada um que faça as suas críticas e pode ser que se mude muita coisa, como já te tinha dito. Claro que podem e devem criticar e claro, que tudo tem os seus limites e dentro desses limites, não se encontra um movimento cívico para cada um, conforme a sua visão do mundo, isso não funcionará.
    Aqui vai a mensagem que me enviaram e que responde à tua pergunta, Voz:

    "Recebemos até sábado os contributos para alterações, melhorias e complementos à proposta de Carta Fundadora no seguimento do desafio que lançámos a todos os aderentes no passado dia 08.

    Foi excepcional: recebemos mais de 100 contributos que agora estão a ser trabalhados pelo grupo responsável para ser apresentada uma versão final para aprovação na 1ª Reunião Geral de Aderentes em que todos vamos estar presentes no próximo dia 20."


    Bem... então queixam-se de quê? Voz e Isabel? que as pessoas não mudam? Façam então um movimento cívico, mas não comparem com o da Islândia por favor... pois houve mudanças mas não foram assim tão radicais. E continuo a dizer que assim não vão lá, pois a infra-estrutura de um sistema, é a base, somos nós o povo... mas aconselho-os a fomentar umas células terroristas inteligentes, para que consigam os vossos propósitos bem rápido e libertem assim o povo num instante dos carrascos da banca. Anulem o topo da pirâmide e depois podem implementar as vossas regras!... :) Se esperamos pelas próximas gerações já educadas como diz a Isabel, esperemos então sentados.
    É fácil criticar... mais difícil é ser um agente de mudança.

    Não falo de utopias nem deito abaixo nenhuma iniciativa vossa, acaso a tenham... Depois comuniquem, se faz favor. :)

    Vózinha, Vozinha! :))

    Beijinhos meus queridos.

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