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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A Hora do Silêncio ou a Aventura da Solidão




Quando deixamos para trás o bulício insuportável do quotidiano frívolo e mecanizado e fechamos a porta ao ruído repetitivo e persistente da mente que, diligente pupila da nossa vontade, pensa sem cessar o que se lhe ordenou, entra-nos porta adentro o silêncio.
 
Tão raro é que a princípio estranha-se. Não é tarefa fácil desembaraçar-nos daquela sensação frustrante do “falta alguma coisa”. Persistindo nele porém, descobrimos aos poucos que a tranquilidade que o acompanha desvanece a frustração.
 
Quase sem nos darmos conta, o silêncio cresce, cresce e torna-se imenso. Espalha-se pelo chão, sobe paredes acima, cobre o tecto, preenche cada fresta nas paredes, cada junção das tábuas do soalho. De tão imenso, transborda janela fora e enche o mundo. Estende-se por cidades e ermos, oceanos e rios, montes e vales. Está no ar, na luz, no som. O chilreio e o trovão distante são silêncio. A chuva e o vento e a onda que rebenta são silêncio. É silêncio a estrela, a galáxia, o cosmos inteiro. É silêncio a ideia, o pensamento e a palavra. É silêncio a vida, a existência, a criação.
 
Só o silêncio toca o eterno, morada única do ser universal. Terra de ninguém onde o ego não tem entrada.

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