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domingo, 14 de outubro de 2012

Queixam-se de quê?




Acabei de ler o último post do meu amigo voza0db no seu esplêndido blogue.
Tenho constatado que as pessoas ficam ofendidíssimas quando se lhes diz que ir para a rua protestar (ou ouvir uma musiquinha, como foi o caso desta última manifestação!) de nada adianta. Ofender-se-ão porquê? Será porque são incapazes de vislumbrar outras soluções? Será porque intimamente precisam de uma multidão que consolide a razão que pensam ter? Mas afinal onde está essa razão? Andar em rebanho a balir em coro não é, nunca foi, sinónimo de razão!
A união que se pretende não se obtém de um ajuntamento cego de massas interiormente divergentes mas sim de uma consciência individual madura e direccionada para uma sustentabilidade global.
A grande maioria das pessoas que se indignam em público sempre teve o mesmo comportamento em privado. Insistem em repetir indefinidamente os mesmos erros achando que algo exterior a elas, um milagre pois, há-de resolver a situação só porque estão indignadas.
Por que não um exercício individual de pensamento, uma análise individual e conscienciosa à raiz dos males? Por que não procurar uma solução na diferença em vez de insistir na destrutiva repetição de velhos comportamentos divisores e comprovadamente errados?
Já cansa este ritual sucessivo de maus governos e indignações inertes. Já aborrece este ziguezaguear masoquista entre dois partidos como se nada mais existisse. Já enjoam a memória curta e a ingenuidade lamentável dos protestos de rua.
Meus caros semelhantes, se continuam a alimentar partidos, nutrindo assim divisões e conflitos, se continuam a prestar vassalagem aos seus representantes com vénias de nariz no chão e salamaleques como se de senhores feudais se tratasse, se continuam a ouvir os discursos políticos como se fossem escrituras, se continuam a seguir o caminho que lhes é imposto e nem sequer se questionam sobre a existência de outros, afinal, queixam-se de quê?
Com franqueza, a paciência tem limites e eu também tenho direito à minha indignação!

 
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