Tenho constatado que as pessoas ficam ofendidíssimas quando se lhes diz que ir para a rua
protestar (ou ouvir uma musiquinha, como foi o caso desta última manifestação!)
de nada adianta. Ofender-se-ão porquê? Será porque são incapazes de vislumbrar outras
soluções? Será porque intimamente precisam de uma multidão que consolide a razão
que pensam ter? Mas afinal onde está essa razão? Andar em rebanho a balir em
coro não é, nunca foi, sinónimo de razão!
A união que se pretende não se obtém de um ajuntamento cego
de massas interiormente divergentes mas sim de uma consciência individual madura
e direccionada para uma sustentabilidade global.
A grande maioria das pessoas que se indignam em público
sempre teve o mesmo comportamento em privado. Insistem em repetir
indefinidamente os mesmos erros achando que algo exterior a elas, um milagre
pois, há-de resolver a situação só porque estão indignadas.
Por que não um exercício individual de pensamento, uma
análise individual e conscienciosa à raiz dos males? Por que não procurar uma
solução na diferença em vez de insistir na destrutiva repetição de velhos comportamentos
divisores e comprovadamente errados?
Já cansa este ritual sucessivo de maus governos e
indignações inertes. Já aborrece este ziguezaguear masoquista entre dois
partidos como se nada mais existisse. Já enjoam a memória curta e a ingenuidade
lamentável dos protestos de rua.
Meus caros semelhantes, se continuam a alimentar partidos, nutrindo
assim divisões e conflitos, se continuam a prestar vassalagem aos seus
representantes com vénias de nariz no chão e salamaleques como se de senhores
feudais se tratasse, se continuam a ouvir os discursos políticos como se fossem
escrituras, se continuam a seguir o caminho que lhes é imposto e nem sequer se questionam
sobre a existência de outros, afinal, queixam-se de quê?
Com franqueza, a paciência tem limites e eu também tenho
direito à minha indignação!
