É, ou
não é, uma verdadeira carnificina a fome que os senhores do mundo estão a fazer
passar às gentes do mundo inteiro? É genocídio, sim senhor! E tem bem mais
vastas proporções que o holocausto! E fica impune? Fica!
É, ou
não é, um verdadeiro roubo a extorsão praticada pelos senhores do mundo, sob a
forma de impostos e legislação facciosa, sobre a pessoa comum? É roubo, sim
senhor! E tem bem mais vastas proporções que todos os espólios e saques de
guerra! E fica impune? Fica!
É, ou
não é, pura escravidão a sub-reptícia manipulação a que são constantemente sujeitas
as pessoas, através da contínua degradação do ensino e das estupidificantes publicidade
e comunicação social ao serviço dos senhores do mundo? É escravidão, sim senhor!
E tem bem mais vastas proporções que a escravatura do passado! E fica impune?
Fica!
Genocídio,
roubo, escravatura! Tudo isto tem ficado impune! Todos os que, até hoje, foram
castigados por crimes de guerra, de corrupção, crimes contra a humanidade,
etc., não passaram de meros bodes expiatórios. São vítimas escolhidas para dar
o exemplo e calar indignações. São voluntários involuntários para continuar a
fazer acreditar que a justiça e a moral ainda existem. São objectos de
sacrifício tão só e apenas para que os verdadeiros verdugos da humanidade possam
continuar a movimentar-se sem obstáculos nem oposições.
Mas
tu, que estás a ler estas palavras com um quase inconsciente aceno de cabeça em
inegável concordância, crês estar isento de culpa? É que não estás, sabes?
Porque,
afinal, até passas a vida com o cérebro adormecido, a líbido desperta e a
estupidez lubrificada! Afinal, consegues adormecer todas as noites sem sequer
pensar nas seis crianças que morrem de fome a cada segundo em que te entregas a
sonhos frívolos! Afinal, és tu que idolatras o presidente ou o secretário-geral
do teu partido, ainda que profiram as maiores incongruências e ordenem as
maiores barbaridades! E és tu que lá vais pôr o teu voto sem sequer te dares
conta de como te puxam os cordelinhos!
Afinal,
és tu que, pelas costas, criticas e insultas meio mundo, imbuído de uma sabedoria
“tudológica”, e na presença daqueles que criticas te inclinas reverentemente perante
eles, rabo alçado e testa rente ao chão, enquanto pelos neurónios te passa a
chispa da inveja e num nano-segundo te vês, babado, como o detentor desse poder
que reverencias e de que falsamente escarneces! Sim, até porque eu vejo-te, na
televisão, risonho e propenso à adulação quando o senhor ministro visita o teu
local de trabalho; e vejo-te depois nas manifestações a insultá-lo, carrancudo e
propenso a uma violência quase homicida!
Afinal,
és tu que não vês que és exactamente igual aos sujeitos da tua crítica! Afinal,
és tu que continuas a esganiçar-te, com a atitude enérgica e saltitante de um garnisé
e uma coragem não maior do que a dimensão do galináceo, para defender a mudança!
Mas, afinal, quem não quer mudar és tu! Não queres mudar a tua ambição, não
queres mudar o teu sonho de poder, a tua ganância desmedida. Afinal, queres é atingir
o teu objectivo, ainda que egocêntrico, ainda que insustentável, ainda que
pernicioso, ainda que destrutivo, custe o que custar! Pois é precisamente este “custe
o que custar” que deixa impunes os genocídios, os roubos, as escravidões…
Percebes agora porque não estás isento de culpa?
