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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Impunidades, Falsidades e Outras Dualidades




É, ou não é, uma verdadeira carnificina a fome que os senhores do mundo estão a fazer passar às gentes do mundo inteiro? É genocídio, sim senhor! E tem bem mais vastas proporções que o holocausto! E fica impune?  Fica!
É, ou não é, um verdadeiro roubo a extorsão praticada pelos senhores do mundo, sob a forma de impostos e legislação facciosa, sobre a pessoa comum? É roubo, sim senhor! E tem bem mais vastas proporções que todos os espólios e saques de guerra! E fica impune? Fica!
É, ou não é, pura escravidão a sub-reptícia manipulação a que são constantemente sujeitas as pessoas, através da contínua degradação do ensino e das estupidificantes publicidade e comunicação social ao serviço dos senhores do mundo? É escravidão, sim senhor! E tem bem mais vastas proporções que a escravatura do passado! E fica impune? Fica!
Genocídio, roubo, escravatura! Tudo isto tem ficado impune! Todos os que, até hoje, foram castigados por crimes de guerra, de corrupção, crimes contra a humanidade, etc., não passaram de meros bodes expiatórios. São vítimas escolhidas para dar o exemplo e calar indignações. São voluntários involuntários para continuar a fazer acreditar que a justiça e a moral ainda existem. São objectos de sacrifício tão só e apenas para que os verdadeiros verdugos da humanidade possam continuar a movimentar-se sem obstáculos nem oposições.
Mas tu, que estás a ler estas palavras com um quase inconsciente aceno de cabeça em inegável concordância, crês estar isento de culpa? É que não estás, sabes?
Porque, afinal, até passas a vida com o cérebro adormecido, a líbido desperta e a estupidez lubrificada! Afinal, consegues adormecer todas as noites sem sequer pensar nas seis crianças que morrem de fome a cada segundo em que te entregas a sonhos frívolos! Afinal, és tu que idolatras o presidente ou o secretário-geral do teu partido, ainda que profiram as maiores incongruências e ordenem as maiores barbaridades! E és tu que lá vais pôr o teu voto sem sequer te dares conta de como te puxam os cordelinhos!
Afinal, és tu que, pelas costas, criticas e insultas meio mundo, imbuído de uma sabedoria “tudológica”, e na presença daqueles que criticas te inclinas reverentemente perante eles, rabo alçado e testa rente ao chão, enquanto pelos neurónios te passa a chispa da inveja e num nano-segundo te vês, babado, como o detentor desse poder que reverencias e de que falsamente escarneces! Sim, até porque eu vejo-te, na televisão, risonho e propenso à adulação quando o senhor ministro visita o teu local de trabalho; e vejo-te depois nas manifestações a insultá-lo, carrancudo e propenso a uma violência quase homicida!
Afinal, és tu que não vês que és exactamente igual aos sujeitos da tua crítica! Afinal, és tu que continuas a esganiçar-te, com a atitude enérgica e saltitante de um garnisé e uma coragem não maior do que a dimensão do galináceo, para defender a mudança! Mas, afinal, quem não quer mudar és tu! Não queres mudar a tua ambição, não queres mudar o teu sonho de poder, a tua ganância desmedida. Afinal, queres é atingir o teu objectivo, ainda que egocêntrico, ainda que insustentável, ainda que pernicioso, ainda que destrutivo, custe o que custar! Pois é precisamente este “custe o que custar” que deixa impunes os genocídios, os roubos, as escravidões… Percebes agora porque não estás isento de culpa?
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