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| Inner Soul Search - Colette Guggenheim |
É tudo
tão inútil. Ou, pelo menos quase tudo. Não são inúteis os sorrisos, não aqueles
que se esboçam com bonomia. Mas são inúteis aqueles que lembram uma irreprimida
contracção muscular. Não são inúteis os bons dias que transpiram sinceridade e
soam a um trinar primaveril. São inúteis, porém, os que são dados entredentes,
que não transmitem nada mais que um visual esgar, contrariado por um som que se
pretendia mudo.
É
inútil o gesto que contraria a palavra e é inútil a palavra que não se espelha
no movimento corporal. É inútil a cortesia estudada, a simpatia seca, a
disponibilidade que se espera não receba aceitação. São inúteis os sim que são
não, os assentimentos e as concordâncias como meros nutrientes para o ego. São
inúteis as dádivas focadas no receber e os abraços vigorosos que esperam
recompensa.
São
inúteis os aplausos impregnados de inveja e as adulações nascidas do ciúme. Inúteis
também as opiniões forjadas em pensamento alheio e as atitudes escolhidas em
passerelle. É inútil o que se diz e desdiz ao sabor das gentes. São inúteis as
palavras de honra ditadas pela ausência da honra, e as indignações em defesa de
inexistentes integridades.
Todavia, jamais será inútil
todo e qualquer acto, palavra, ou sentimento advindo da profundeza da alma do
ser que, sozinho, procura no silêncio a marca da verdade.
