Árida como un desierto, estéril como la tierra cansada.
Y al mismo tiempo libre como el agua y leve como el aire.
Placida como las nubes blancas de un día sereno e inquieta como las llamas crepitantes de un fuego bailarín.
Enfadada con el ego pero silenciosamente sondando el alma.
Cansada de lo efímero pero asombrosamente despierta a lo eterno.
Abiertos los ojos hacia lo externo y interiormente consciente de lo que no se ve.
Así estoy mirando la vida en este momento.
Y a pesar del dolor sentido por descubrimientos bruscos e inusitados, hay en mi ser una tranquilidad que adviene de una comprensión que lo transciende...
domingo, 12 de setembro de 2010
Palavras
O perigo de escrever é que se não estiver o escritor atento, pode permitir que as palavras grafadas se enraízem no seu pensar, comprometendo inconsciente mas incisivamente a sua liberdade. Escrever sim, mas que as palavras não vinculem, que agitem antes as ideias e o pensamento, que sejam tão, tão leves que não cheguem a ferir ou a estigmatizar ou a elogiar profundamente, irremediavelmente, que sejam sempre o ninho confortável e brando de toda uma prole que está por vir mas cujo destino será sempre crescer em liberdade, cavalgar no dorso do novo e não regressar jamais ao velho poiso.
As palavras para mim são selvagens, não quero domesticá-las, não quero que sirvam para servir um propósito; quero-as rebeldes, inusitadas, meigas, poéticas, incisivas, cruas e nuas, desenfreadas, plenas de revolta e de sede de descobrir; quero-as sempre novas, recém-nascidas, no strings attached, completamente livres para que dêem o seu melhor no momento em que as uso. Sim, porque eu apenas as uso, elas não são minhas; estão meramente aí, à disposição de qualquer um, quietas, expectantes.
E quando não tenho palavras, passeio-me no silêncio, que ele delas não precisa. Ando p’ra lá e p’ra cá e esse silêncio, tão mudo quanto eloquente, fecunda-me e dá-me de novo à luz, a cada instante!
As palavras para mim são selvagens, não quero domesticá-las, não quero que sirvam para servir um propósito; quero-as rebeldes, inusitadas, meigas, poéticas, incisivas, cruas e nuas, desenfreadas, plenas de revolta e de sede de descobrir; quero-as sempre novas, recém-nascidas, no strings attached, completamente livres para que dêem o seu melhor no momento em que as uso. Sim, porque eu apenas as uso, elas não são minhas; estão meramente aí, à disposição de qualquer um, quietas, expectantes.
E quando não tenho palavras, passeio-me no silêncio, que ele delas não precisa. Ando p’ra lá e p’ra cá e esse silêncio, tão mudo quanto eloquente, fecunda-me e dá-me de novo à luz, a cada instante!
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sábado, 11 de setembro de 2010
Tears
Sometimes they are joy
Those tears born spontaneously, so pure,
As if they spring without a reason,
Just because…
Some other times they are sadness,
The mirror of a grieved pain,
And they burst out arid, hard
As if they mutilate the very heart,
Just because…
Sometimes it’s just one single tear, brighter and saltier than ever,
Evanescent, shy,
As a sensed spark
Of a greater world…
And sometimes it’s just a cold tear
Secretly carrying
The whole stigma of an endless sorrow…
Sometimes tears are like rivers
Running into the sea,
Into a perceived freedom they wish to hug…
Other times, they are just still waters
Quietened by silent winds obstinately refusing to blow…
So many and so various are the tears
Abiding in the poet’s soul,
Whether it is arid, desert,
Or full, fertile and awakened,
Wrapped up in an ecstasy,
Hibernating or totally inert…
In each poured tear
Illusion fades, falsehood dies,
And in an always new way, perchance undefined,
Unmistakably
There is Life!
Those tears born spontaneously, so pure,
As if they spring without a reason,
Just because…
Some other times they are sadness,
The mirror of a grieved pain,
And they burst out arid, hard
As if they mutilate the very heart,
Just because…
Sometimes it’s just one single tear, brighter and saltier than ever,
Evanescent, shy,
As a sensed spark
Of a greater world…
And sometimes it’s just a cold tear
Secretly carrying
The whole stigma of an endless sorrow…
Sometimes tears are like rivers
Running into the sea,
Into a perceived freedom they wish to hug…
Other times, they are just still waters
Quietened by silent winds obstinately refusing to blow…
So many and so various are the tears
Abiding in the poet’s soul,
Whether it is arid, desert,
Or full, fertile and awakened,
Wrapped up in an ecstasy,
Hibernating or totally inert…
In each poured tear
Illusion fades, falsehood dies,
And in an always new way, perchance undefined,
Unmistakably
There is Life!
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Profecia
Foi quando o céu caiu
E num repente
Destruiu tudo o que havia;
Foi quando o altar
Deixou de ser
O lugar mágico que soía,
E a crença, que se cria inabalável,
Ruiu por terra, esfrangalhada,
E já nenhum dos seus pedaços reluzia
Abrilhantado pela ilusão;
Foi quando o fim e o princípio se encontraram
Num único e mesmo momento;
E o tempo se desvaneceu, inútil, derrotado;
Foi quando o pensamento,
Desestruturado, insustentado,
Sem alicerce nem rumo traçado,
Se extinguiu no seu próprio nada;
E quando todos os elementos se juntaram
Num novo cadinho,
Numa nova alquimia,
E de uma quimera feita de ouro e fantasia
Transformaram o que era velho
Num novo tesouro,
Num novo embrião,
Num novo dia,
Foi aí, nessa precisa ocasião,
Que se concretizou a minha profecia:
O Homem, tendo perecendo, renascia!
E num repente
Destruiu tudo o que havia;
Foi quando o altar
Deixou de ser
O lugar mágico que soía,
E a crença, que se cria inabalável,
Ruiu por terra, esfrangalhada,
E já nenhum dos seus pedaços reluzia
Abrilhantado pela ilusão;
Foi quando o fim e o princípio se encontraram
Num único e mesmo momento;
E o tempo se desvaneceu, inútil, derrotado;
Foi quando o pensamento,
Desestruturado, insustentado,
Sem alicerce nem rumo traçado,
Se extinguiu no seu próprio nada;
E quando todos os elementos se juntaram
Num novo cadinho,
Numa nova alquimia,
E de uma quimera feita de ouro e fantasia
Transformaram o que era velho
Num novo tesouro,
Num novo embrião,
Num novo dia,
Foi aí, nessa precisa ocasião,
Que se concretizou a minha profecia:
O Homem, tendo perecendo, renascia!
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Plural
Pareço só, completamente,
Porque, quase sem sentir,
Me afasto do mundo…
E ainda assim, não sinto a solidão…
No existir fecundo
Onde tantas vezes me encontro,
Só nunca estou plenamente…
Sou a própria multidão!
E num tempo ausente
E sem espaço,
Pressinto que somente
Me conheço bem fundo
Quando, aqui, neste lugar
Por onde tantas vezes passo,
Serenamente permaneço e me deleito…
E embora não me assista qualquer definição,
Nele nada há e porém é completo:
É o ser e o estar,
O próprio êxtase, a pedra basilar,
A causa sem qualquer efeito,
A mais pura compreensão.
Pareço só, mas realmente
Sou, de um fogo-fátuo singular,
A sua mais plural expressão!
Porque, quase sem sentir,
Me afasto do mundo…
E ainda assim, não sinto a solidão…
No existir fecundo
Onde tantas vezes me encontro,
Só nunca estou plenamente…
Sou a própria multidão!
E num tempo ausente
E sem espaço,
Pressinto que somente
Me conheço bem fundo
Quando, aqui, neste lugar
Por onde tantas vezes passo,
Serenamente permaneço e me deleito…
E embora não me assista qualquer definição,
Nele nada há e porém é completo:
É o ser e o estar,
O próprio êxtase, a pedra basilar,
A causa sem qualquer efeito,
A mais pura compreensão.
Pareço só, mas realmente
Sou, de um fogo-fátuo singular,
A sua mais plural expressão!
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
An always new dance
Living, pulsing moments
These, where infinity is embraced
With no effort or will…
Indefinable instants
Not touched by craving or desire…
Moments of loneliness that is not such,
Eternities of a new silence beyond silence…
A continuous revival of an ancient, perennial fire…
And in everything I do not say
Abides, immaculate, an undisputed truth…
Looking at myself then
I see a gentle and mild breeze
In a constant and swift renewal,
Finding, at a glance,
What for so long had been lost…
And in an eternal immensity,
Creating itself at each new moment,
I am, unmistakably, part of an endless movement
Dancing forever an always new dance…
These, where infinity is embraced
With no effort or will…
Indefinable instants
Not touched by craving or desire…
Moments of loneliness that is not such,
Eternities of a new silence beyond silence…
A continuous revival of an ancient, perennial fire…
And in everything I do not say
Abides, immaculate, an undisputed truth…
Looking at myself then
I see a gentle and mild breeze
In a constant and swift renewal,
Finding, at a glance,
What for so long had been lost…
And in an eternal immensity,
Creating itself at each new moment,
I am, unmistakably, part of an endless movement
Dancing forever an always new dance…
Nascer
Já vivi tantos anos e não sei o que é nascer. Ou melhor, saber até sei, não pelo facto de ter nascido uma vez há tantos anos atrás mas porque, sabe-se lá porquê, nasço todos os dias. Alguns chamam a isto esperança mas francamente não reconheço a este pequeno fenómeno tal atributo. É que se fosse esperança isso significava que era a infelicidade, ou o infortúnio, ou o desespero ou até mesmo a estupidez que me faziam nascer de novo. Significava que teimosamente insistia em voltar a nascer até que as condições me fossem mais convenientes. Mas é que não é nada disso; eu nasço porque sim, e nem sequer é porque quero, e não trago comigo razões do dia anterior. Até porque quando acordo de manhã estou mais interessada no que vou descobrir nesse dia do que propriamente no que abandonei quando morri na noite anterior.
Mas há os que não nascem. Nem tão-pouco morrem. Fazem de uma média de sete décadas, que é o tempo que pensam que têm entre nascer e morrer, um contínuo desfiar de mágoas e resignações, de tentativas e frustrações, de penas e pesares. E depois, de dia para dia, como se de troféus se tratasse, fazem questão de nada deixar para trás nem esquecer e enchem a albarda até abarrotar. Como hão-de depois envelhecer graciosa e dignamente se insistem em transportar semelhante carga pela vida fora sem a largar por um segundo? É que não há corpo que aguente tal peso e consiga, ao mesmo tempo, manter a discreta elegância da inteligência.
Confesso que, às vezes, morro albardada. Sinto-lhe o peso nas molas do colchão quando me deito. Mas nascer, aí sim, nasço sempre leve e desnudada. A roupa de ontem ficou pendurada nas costas da cadeira à espera de ser lavada e preparada para um eventual uso futuro. Tal como com a albarda que ficou, cheiinha como estava, no mundo da transição, que é o mundo que faz a ponte entre o nascer e o morrer, entre o pôr-do-sol e a alvorada. É onde se despeja a carga, onde se deixa armazenada e ajeitada, pronta para um dia qualquer, se preciso for, fazer uso dela.
Mexo-me bem melhor, desenvencilho-me bem melhor, penso bem melhor acordando desalbardada: é que começo outra vez do nada. E portanto descubro o novo com olhos novos, com pensamentos por pensar, com uma mente fresquinha e ampla, totalmente pronta para partir à descoberta.
Assim vou, dia após dia, nascendo e morrendo. E uma ocasião qualquer, talvez numa noite de Inverno que me faça aconchegar ainda mais no leito, por certo não vou estranhar, tantas vezes repetido aquele ciclo, quando realmente morrer.
Mas há os que não nascem. Nem tão-pouco morrem. Fazem de uma média de sete décadas, que é o tempo que pensam que têm entre nascer e morrer, um contínuo desfiar de mágoas e resignações, de tentativas e frustrações, de penas e pesares. E depois, de dia para dia, como se de troféus se tratasse, fazem questão de nada deixar para trás nem esquecer e enchem a albarda até abarrotar. Como hão-de depois envelhecer graciosa e dignamente se insistem em transportar semelhante carga pela vida fora sem a largar por um segundo? É que não há corpo que aguente tal peso e consiga, ao mesmo tempo, manter a discreta elegância da inteligência.
Confesso que, às vezes, morro albardada. Sinto-lhe o peso nas molas do colchão quando me deito. Mas nascer, aí sim, nasço sempre leve e desnudada. A roupa de ontem ficou pendurada nas costas da cadeira à espera de ser lavada e preparada para um eventual uso futuro. Tal como com a albarda que ficou, cheiinha como estava, no mundo da transição, que é o mundo que faz a ponte entre o nascer e o morrer, entre o pôr-do-sol e a alvorada. É onde se despeja a carga, onde se deixa armazenada e ajeitada, pronta para um dia qualquer, se preciso for, fazer uso dela.
Mexo-me bem melhor, desenvencilho-me bem melhor, penso bem melhor acordando desalbardada: é que começo outra vez do nada. E portanto descubro o novo com olhos novos, com pensamentos por pensar, com uma mente fresquinha e ampla, totalmente pronta para partir à descoberta.
Assim vou, dia após dia, nascendo e morrendo. E uma ocasião qualquer, talvez numa noite de Inverno que me faça aconchegar ainda mais no leito, por certo não vou estranhar, tantas vezes repetido aquele ciclo, quando realmente morrer.
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nascer morrer nascimento morte
When I'm not
It is only when I’m not
And when everything that I was has ceased to be
That I know what I am:
A living expression that cannot be concealed,
Water flowing from a source
That will never grow dry…
In this immense grandeur
I am, from the whole, a fragment
Feeling everything by being nothing…
And in a single instant
Without word or thought,
Through ecstasy and innocence,
I am the cry in the silence and the silence in the moan
Cause whoever feels what I feel
Will never ever mourn!
And when everything that I was has ceased to be
That I know what I am:
A living expression that cannot be concealed,
Water flowing from a source
That will never grow dry…
In this immense grandeur
I am, from the whole, a fragment
Feeling everything by being nothing…
And in a single instant
Without word or thought,
Through ecstasy and innocence,
I am the cry in the silence and the silence in the moan
Cause whoever feels what I feel
Will never ever mourn!
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Perguntas e respostas sobre liberdade
A palavra liberdade, neste mundo tão incoerente e interesseiro, tem sofrido ao longo dos tempos transformações gigantescas e a verdadeira essência do seu significado jaz algures bem escondida!
Desde que temos memória, em termos históricos, a palavra liberdade sempre significou a ausência de um jugo, de um domínio. Um povo oprimido clamava por liberdade e enquanto não a obtivesse, à custa de sangue se necessário fosse, fazia dela o seu mais elevado ideal. Liberdade a todo o custo sempre foi a ideia que mais se enraizou na mente humana desde os primórdios, e a sua concretização sempre povoou os sonhos do homem. E hoje em dia toda a gente fala de liberdade; liberdade de expressão, liberdade de consciência, liberdade religiosa, liberdade social, liberdade política, liberdade intelectual, liberdade sexual, liberdade racial, liberdade, liberdade, liberdade!
Mas afinal, o que é a liberdade? E porque será que é tão veementemente almejada? Porque será que a liberdade é actualmente um ideal legislado? Porque será que se faz dela um cavalo de batalha sem se conhecer verdadeiramente o seu significado? Porque será que um chamado “atentado” à liberdade pressupõe inimigos, ódios, vinganças, lutas, crueldades, chacinas e até despoleta guerras? Será que o seu significado político, social, intelectual , religioso, mental, consegue fazer jus à sua verdadeira significação, à sua verdadeira essência?
Porque é que achamos que liberdade é ter direitos, é poder fazer isto e aquilo, é poder dizer isto e aquilo, é estar acima daqueles que achamos que a não têm, é exigir mais e melhor, é avançar na direcção que queremos sem nos preocuparmos com os danos que causamos, é cultivarmos um estilo de vida sem sequer sabermos o que isso verdadeiramente significa? Porque é que achamos que liberdade é termos opiniões e manter-nos teimosamente fiéis a elas e enfrentar tudo e todos para as defendermos, é termos o direito de julgar os outros meramente a partir dos nossos próprios pontos de vista? Porque é que achamos que liberdade é podermos criticar, magoar, ferir, caluniar, difamar, condenar, odiar aqueles que não pensam como nós, que não partilham das nossas opiniões, ou podermos amar, venerar, adorar, respeitar, reverenciar aqueles que pensam como nós? Porque é que achamos que liberdade é afirmar eu quero, eu posso, eu exijo, eu tenho, eu mando?
Será liberdade quando expresso as minhas opiniões e fico interiormente melindrado porque não foram aceites pelo meu interlocutor? Será liberdade quando teimosamente insisto num estilo de vida que sei que a maior parte das pessoas no mundo não pode ter? Será liberdade quando cometo extravagâncias em nome de um ego egotista e exuberante que se alimenta de aparências? Será liberdade quando me associo a um grupo e me restrinjo a uma ideologia benéfica para uns e maléfica para outros? Será liberdade quando me entrego a uma religião e segrego todos aqueles que não partilham dela?
E nas coisas comezinhas, naqueles pequenos acontecimentos do quotidiano? É liberdade quando faço parte de um partido político e acho que todos os opositores estão errados? Ou quando sou adepto de um clube de futebol e considero todos os outros idiotas porque não vestem a mesma camisola que eu? É liberdade brincar aos gastrónomos em orgias gourmet enquanto milhões morrem de fome? É liberdade usar roupas de marca enquanto milhões se vestem de andrajos? É liberdade desejar um animal de estimação e logo que este compromete as férias, deixá-lo ao abandono, totalmente indefeso? É liberdade gesticular e proferir impropérios contra o condutor que segue normalmente à nossa frente só porque ele não tem a pressa que nós achamos que temos?
Caro leitor, nada do que foi até agora perguntado é liberdade!
Liberdade não é oposição, resistência, segregação, divisão, elitismo, direito, prevalência, maioria, personalidade, identidade, capricho, desejo, vontade. Não é sonho, ideologia, objectivo, meta, finalidade. Liberdade não é razão, opinião, intelectualidade, abstracção. Liberdade não é ostentação, não é damagogia, não é política nem religião. Liberdade não é conquista, não é vitória, não é símbolo nem doutrina.
Liberdade é discernimento; liberdade é modéstia, é humildade; liberdade é altruismo, é compreender aquilo de que os outros necessitam. Liberdade é abnegação, étudo o que posso dar em troca de nada, é conhecer-me e por isso conhecer os outros e saber exactamente de que precisam. Liberdade é prescindir, é abdicar, é pôr de parte tudo o que cultiva o egoismo, tudo o que alimenta o individualismo, tudo o que fomenta o antagonismo. Liberdade é semear bem e colher melhor, é saber a diferença entre o bem e o mal. Liberdade é conhecer a causa e o efeito, é conhecer a lei universal que rege a vida, é ver as coisas tal qual elas são. Liberdade é abstenção de julgamento, de condenação; é entendimento e compaixão. Liberdade é a palavra que fica por dizer porque nasceu da ira; liberdade é o pensamento que truncamos à nascença porque lhe conhecemos os efeitos; liberdade é o acto que sensatamente decidimos não praticar porque fere outros ou a acção que branda e generosamente praticamos porque sabemos que será beneficiente. Liberdade é saber que o que sou está em harmonia com o que somos. Liberdade é comunicar em silêncio e agir em silêncio.
A liberdade não é uma noção. É uma forma de viver.
A liberdade não é uma abstracção. É uma acção direccionada.
A liberdade não é um conceito. É uma conduta universal.
Desde que temos memória, em termos históricos, a palavra liberdade sempre significou a ausência de um jugo, de um domínio. Um povo oprimido clamava por liberdade e enquanto não a obtivesse, à custa de sangue se necessário fosse, fazia dela o seu mais elevado ideal. Liberdade a todo o custo sempre foi a ideia que mais se enraizou na mente humana desde os primórdios, e a sua concretização sempre povoou os sonhos do homem. E hoje em dia toda a gente fala de liberdade; liberdade de expressão, liberdade de consciência, liberdade religiosa, liberdade social, liberdade política, liberdade intelectual, liberdade sexual, liberdade racial, liberdade, liberdade, liberdade!
Mas afinal, o que é a liberdade? E porque será que é tão veementemente almejada? Porque será que a liberdade é actualmente um ideal legislado? Porque será que se faz dela um cavalo de batalha sem se conhecer verdadeiramente o seu significado? Porque será que um chamado “atentado” à liberdade pressupõe inimigos, ódios, vinganças, lutas, crueldades, chacinas e até despoleta guerras? Será que o seu significado político, social, intelectual , religioso, mental, consegue fazer jus à sua verdadeira significação, à sua verdadeira essência?
Porque é que achamos que liberdade é ter direitos, é poder fazer isto e aquilo, é poder dizer isto e aquilo, é estar acima daqueles que achamos que a não têm, é exigir mais e melhor, é avançar na direcção que queremos sem nos preocuparmos com os danos que causamos, é cultivarmos um estilo de vida sem sequer sabermos o que isso verdadeiramente significa? Porque é que achamos que liberdade é termos opiniões e manter-nos teimosamente fiéis a elas e enfrentar tudo e todos para as defendermos, é termos o direito de julgar os outros meramente a partir dos nossos próprios pontos de vista? Porque é que achamos que liberdade é podermos criticar, magoar, ferir, caluniar, difamar, condenar, odiar aqueles que não pensam como nós, que não partilham das nossas opiniões, ou podermos amar, venerar, adorar, respeitar, reverenciar aqueles que pensam como nós? Porque é que achamos que liberdade é afirmar eu quero, eu posso, eu exijo, eu tenho, eu mando?
Será liberdade quando expresso as minhas opiniões e fico interiormente melindrado porque não foram aceites pelo meu interlocutor? Será liberdade quando teimosamente insisto num estilo de vida que sei que a maior parte das pessoas no mundo não pode ter? Será liberdade quando cometo extravagâncias em nome de um ego egotista e exuberante que se alimenta de aparências? Será liberdade quando me associo a um grupo e me restrinjo a uma ideologia benéfica para uns e maléfica para outros? Será liberdade quando me entrego a uma religião e segrego todos aqueles que não partilham dela?
E nas coisas comezinhas, naqueles pequenos acontecimentos do quotidiano? É liberdade quando faço parte de um partido político e acho que todos os opositores estão errados? Ou quando sou adepto de um clube de futebol e considero todos os outros idiotas porque não vestem a mesma camisola que eu? É liberdade brincar aos gastrónomos em orgias gourmet enquanto milhões morrem de fome? É liberdade usar roupas de marca enquanto milhões se vestem de andrajos? É liberdade desejar um animal de estimação e logo que este compromete as férias, deixá-lo ao abandono, totalmente indefeso? É liberdade gesticular e proferir impropérios contra o condutor que segue normalmente à nossa frente só porque ele não tem a pressa que nós achamos que temos?
Caro leitor, nada do que foi até agora perguntado é liberdade!
Liberdade não é oposição, resistência, segregação, divisão, elitismo, direito, prevalência, maioria, personalidade, identidade, capricho, desejo, vontade. Não é sonho, ideologia, objectivo, meta, finalidade. Liberdade não é razão, opinião, intelectualidade, abstracção. Liberdade não é ostentação, não é damagogia, não é política nem religião. Liberdade não é conquista, não é vitória, não é símbolo nem doutrina.
Liberdade é discernimento; liberdade é modéstia, é humildade; liberdade é altruismo, é compreender aquilo de que os outros necessitam. Liberdade é abnegação, étudo o que posso dar em troca de nada, é conhecer-me e por isso conhecer os outros e saber exactamente de que precisam. Liberdade é prescindir, é abdicar, é pôr de parte tudo o que cultiva o egoismo, tudo o que alimenta o individualismo, tudo o que fomenta o antagonismo. Liberdade é semear bem e colher melhor, é saber a diferença entre o bem e o mal. Liberdade é conhecer a causa e o efeito, é conhecer a lei universal que rege a vida, é ver as coisas tal qual elas são. Liberdade é abstenção de julgamento, de condenação; é entendimento e compaixão. Liberdade é a palavra que fica por dizer porque nasceu da ira; liberdade é o pensamento que truncamos à nascença porque lhe conhecemos os efeitos; liberdade é o acto que sensatamente decidimos não praticar porque fere outros ou a acção que branda e generosamente praticamos porque sabemos que será beneficiente. Liberdade é saber que o que sou está em harmonia com o que somos. Liberdade é comunicar em silêncio e agir em silêncio.
A liberdade não é uma noção. É uma forma de viver.
A liberdade não é uma abstracção. É uma acção direccionada.
A liberdade não é um conceito. É uma conduta universal.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Anidarme en tí
Pudiera respirar el aire que respiras,
Sentir el sol que te alumbra...
Pudiera ver como me miras
Convertiendo en luz la penumbra...
Ansio ser parte de tí y volar
Para subirme contigo al firmamento
Deseando no más regresar
Del encanto de ese intemporal momento.
Quiero darte mi alma entera
Para que junto a la tuya se anide,
Y mi corazón, de la misma manera,
Para que junto al tuyo, mi amor te brinde...
Hay una imensidad de mi
Que grita por tí en silencio!
Sentir el sol que te alumbra...
Pudiera ver como me miras
Convertiendo en luz la penumbra...
Ansio ser parte de tí y volar
Para subirme contigo al firmamento
Deseando no más regresar
Del encanto de ese intemporal momento.
Quiero darte mi alma entera
Para que junto a la tuya se anide,
Y mi corazón, de la misma manera,
Para que junto al tuyo, mi amor te brinde...
Hay una imensidad de mi
Que grita por tí en silencio!
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amor alma corazón
Alfabeto
Apareci abrindo alvas asas,
Balbuciei bazófias, barafustei e benzi…
Carpi calúnias conquistando controvérsias…
Degluti drogas e dilemas doutrinais,
Esqueci elites, embriaguei egoísmos,
Fui futilmente feliz, fermentei e floresci…
Gerei grilhões, garanti gozos,
Horas de heróicas e hábeis hipnoses.
Indecisa, instaurei injúrias impiedosas,
Jurei justiça justificando jugos,
Lançando lastros lascivos e lentos…
Mareei-me em melodias, meras memórias…
Novamente nasci na nudez da nostalgia
Observando orgias, olvidando obstáculos,
Princípios primitivos de povos predestinados.
Queixei-me de querelas, querenças e questões,
Racismos recatados, raivas, ruidosas razões,
Saboreei seivas sinuosas, sonhei sonhos sombrios e solitários,
Tacteei tenções, traí tronos torpes, tolerados,
Ufana e usurária,
Violentei a vida,
Xadrez em xeque-mate,
Zero!
Reapareci abrindo alvas asas…
Balbuciei bazófias, barafustei e benzi…
Carpi calúnias conquistando controvérsias…
Degluti drogas e dilemas doutrinais,
Esqueci elites, embriaguei egoísmos,
Fui futilmente feliz, fermentei e floresci…
Gerei grilhões, garanti gozos,
Horas de heróicas e hábeis hipnoses.
Indecisa, instaurei injúrias impiedosas,
Jurei justiça justificando jugos,
Lançando lastros lascivos e lentos…
Mareei-me em melodias, meras memórias…
Novamente nasci na nudez da nostalgia
Observando orgias, olvidando obstáculos,
Princípios primitivos de povos predestinados.
Queixei-me de querelas, querenças e questões,
Racismos recatados, raivas, ruidosas razões,
Saboreei seivas sinuosas, sonhei sonhos sombrios e solitários,
Tacteei tenções, traí tronos torpes, tolerados,
Ufana e usurária,
Violentei a vida,
Xadrez em xeque-mate,
Zero!
Reapareci abrindo alvas asas…
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Cielo azul
Y sintiéndome inmersa en pena, en dolor,
Envuelta en aquel vacío
Que llega inconsiderado y sin avisar,
Miré hacia el alto
Y vi el cielo pintado de un azul
Tan bello e indefinido
Que ningún pintor
Podría jamás retratar!
Y ese azul indefinido, impreciso,
Matizado de discreto esplendor,
Siempre recién-nacido,
Virgen y fértil
Como un libro
Con páginas por escribir,
Me ha mostrado que al final,
No existe en la pena ningún sinsabor,
Porque ella está durmiente
Como durmiente está el color
En la mirada que no lo sabe ver!
Basta pues con despertarla,
La pena o la mirada,
Y ese azul impreciso, indefinido,
Se toma de nuevo contorno,
Ahora preciso y definido,
Repleto de un renovado sabor!
Envuelta en aquel vacío
Que llega inconsiderado y sin avisar,
Miré hacia el alto
Y vi el cielo pintado de un azul
Tan bello e indefinido
Que ningún pintor
Podría jamás retratar!
Y ese azul indefinido, impreciso,
Matizado de discreto esplendor,
Siempre recién-nacido,
Virgen y fértil
Como un libro
Con páginas por escribir,
Me ha mostrado que al final,
No existe en la pena ningún sinsabor,
Porque ella está durmiente
Como durmiente está el color
En la mirada que no lo sabe ver!
Basta pues con despertarla,
La pena o la mirada,
Y ese azul impreciso, indefinido,
Se toma de nuevo contorno,
Ahora preciso y definido,
Repleto de un renovado sabor!
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vacío pena esplendor libro página mirada
Palavras que ninguém quer ler
Caem no chão estilhaçadas
As palavras que ninguém deitou mão p’r’agarrar…
Caem sós, frias, castradas
Porque a mente que guia a mão
Por inacção as deixou cair!
Não eram vãs as palavras, não iam por certo ferir,
Eram calmas, estavam caladas num silêncio por quebrar,
Ansiosas por florir!
E assim ficaram no chão,
Dispersas, abandonadas,
Mil e uma vezes calcadas sem ninguém as ver
Porque não quis a mente que guia a mão
Agarrá-las e ouvir o que tinham para dizer…
As palavras que ninguém deitou mão p’r’agarrar…
Caem sós, frias, castradas
Porque a mente que guia a mão
Por inacção as deixou cair!
Não eram vãs as palavras, não iam por certo ferir,
Eram calmas, estavam caladas num silêncio por quebrar,
Ansiosas por florir!
E assim ficaram no chão,
Dispersas, abandonadas,
Mil e uma vezes calcadas sem ninguém as ver
Porque não quis a mente que guia a mão
Agarrá-las e ouvir o que tinham para dizer…
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palavras solidão mente acção silêncio
Os quietos e os irrequietos
Aos homens divido-os em dois tipos: os quietos e os irrequietos.
Os primeiros, os quietos, que contraditoriamente são os que mais ruído fazem, são também os mais numerosos. São aqueles de quem se fala, aqueles que falam dos outros, aqueles que não falam porque têm que se lhes diga, aqueles que falam sempre e aqueles que por mais que falem ninguém os ouve.
Vivem prisioneiros do tempo e contam-no com a mesma ganância que contam o dinheiro. Que também é seu carcereiro. Perdem-se em emaranhados indestrinçáveis de desejos, caprichos e fantasias. Costumo observá-los de longe sem que me notem, e não consigo ver, nas suas actividades tontas e fúteis, um laivozito que seja de sensatez e seriedade. Prefiro as formigas. Além do senso comum que lhes é característico são mais ordeiras e nada barulhentas nem espalhafatosas.
Os homens quietos, os ruidosos, andam sempre curvados sob o peso do passado. Gastam a maior parte da sua energia a relembrar e a festejar, só que com muito mais frivolidade do que antes, os pretensos actos e feitos dos seus ancestrais. Misturam e valorizam por igual tradições, superstições e imaginações, distorcem factos e acontecimentos, e nem parecem importar-se com isso. Constroem, sem alicerces, belos castelos de areia e passam a vida a inventar meios e maneiras de serem o que não são.
Orgulham-se de tornar complexo aquilo que é simples. Por outro lado queixam-se da vida que, dizem eles, é feita de problemas e de dificuldades. Padronizaram os sentimentos e vendem-nos como se de mercadoria se tratasse. Com os pensamentos fizeram o mesmo. E com a inconsciência do ignorante e a sandice do imbecil, dão-se ares de importância e pretendem ostentar uma inteligência que nunca tiveram. Prefiro os macacos. Se alguma coisa padronizaram foi a cata de piolhos, mas pelo menos não se incomodam em parecer mais inteligentes do que o que são.
Os segundos, os irrequietos, são totalmente diferentes e por estranho que pareça são muito silenciosos. São poucos, muito poucos. Têm espíritos revoltos, naturalmente insatisfeitos, são inquisitivos e estão imbuídos de uma inquietação serena e pacífica que penetra afectuosa mas irremediavelmente o mais espesso dos véus da ignorância.
Interiormente turbulentos, movem-se nas areias movediças do pensamento. Exploram o interior humano com a mesma impassibilidade e domínio de um pescador em alto-mar num qualquer dia de tempestade.
De alma inflamada, em rodopios e turbilhões constantes, percorrendo caminhos desconhecidos que levam às profundezas dos infernos e às celestiais alturas do paraíso, os irrequietos permanecem serenos. Só assim podem prosseguir a busca em sendas pejadas de armadilhas e encruzilhadas.
Inebriados por uma liberdade irrefutavelmente plena que só o homem que duvida pode saborear, transportam-se para além das nuvens que ensombram o quotidiano e de mão dada com o que ninguém quer ver, tecem no silêncio e no infinito as próprias redes que sustentam a vida.
Os irrequietos, ao contrário dos quietos, precisam de muito pouco, não anseiam nada e jamais querem ser aquilo que não são.
Os primeiros, os quietos, que contraditoriamente são os que mais ruído fazem, são também os mais numerosos. São aqueles de quem se fala, aqueles que falam dos outros, aqueles que não falam porque têm que se lhes diga, aqueles que falam sempre e aqueles que por mais que falem ninguém os ouve.
Vivem prisioneiros do tempo e contam-no com a mesma ganância que contam o dinheiro. Que também é seu carcereiro. Perdem-se em emaranhados indestrinçáveis de desejos, caprichos e fantasias. Costumo observá-los de longe sem que me notem, e não consigo ver, nas suas actividades tontas e fúteis, um laivozito que seja de sensatez e seriedade. Prefiro as formigas. Além do senso comum que lhes é característico são mais ordeiras e nada barulhentas nem espalhafatosas.
Os homens quietos, os ruidosos, andam sempre curvados sob o peso do passado. Gastam a maior parte da sua energia a relembrar e a festejar, só que com muito mais frivolidade do que antes, os pretensos actos e feitos dos seus ancestrais. Misturam e valorizam por igual tradições, superstições e imaginações, distorcem factos e acontecimentos, e nem parecem importar-se com isso. Constroem, sem alicerces, belos castelos de areia e passam a vida a inventar meios e maneiras de serem o que não são.
Orgulham-se de tornar complexo aquilo que é simples. Por outro lado queixam-se da vida que, dizem eles, é feita de problemas e de dificuldades. Padronizaram os sentimentos e vendem-nos como se de mercadoria se tratasse. Com os pensamentos fizeram o mesmo. E com a inconsciência do ignorante e a sandice do imbecil, dão-se ares de importância e pretendem ostentar uma inteligência que nunca tiveram. Prefiro os macacos. Se alguma coisa padronizaram foi a cata de piolhos, mas pelo menos não se incomodam em parecer mais inteligentes do que o que são.
Os segundos, os irrequietos, são totalmente diferentes e por estranho que pareça são muito silenciosos. São poucos, muito poucos. Têm espíritos revoltos, naturalmente insatisfeitos, são inquisitivos e estão imbuídos de uma inquietação serena e pacífica que penetra afectuosa mas irremediavelmente o mais espesso dos véus da ignorância.
Interiormente turbulentos, movem-se nas areias movediças do pensamento. Exploram o interior humano com a mesma impassibilidade e domínio de um pescador em alto-mar num qualquer dia de tempestade.
De alma inflamada, em rodopios e turbilhões constantes, percorrendo caminhos desconhecidos que levam às profundezas dos infernos e às celestiais alturas do paraíso, os irrequietos permanecem serenos. Só assim podem prosseguir a busca em sendas pejadas de armadilhas e encruzilhadas.
Inebriados por uma liberdade irrefutavelmente plena que só o homem que duvida pode saborear, transportam-se para além das nuvens que ensombram o quotidiano e de mão dada com o que ninguém quer ver, tecem no silêncio e no infinito as próprias redes que sustentam a vida.
Os irrequietos, ao contrário dos quietos, precisam de muito pouco, não anseiam nada e jamais querem ser aquilo que não são.
Yes, it is me...
Yes, it is me,
The one that is falling asleep lulled by a magic reddish sunset,
In a golden autumn preceding unknown winds
And profitable storms…
It is me, yes, the one that secretly hopes,
Once awakened by a new dawn,
To meet everything that was never met…
Yes, it is me, lost between shadows and light,
The one that longs for what eyes cannot see,
Ears cannot ear and skin cannot feel…
It is me, imbued in my single unique plurality,
The one who retires in winter and blossoms in spring
Never knowing when one or the other should be…
It is me alright,
The one that has cried out a thousand words
Finding that, after all,
The so longed new meaning
Abides in the endless silence of the whole…
It is me, yes,
The one that stumbles, falls and crawls
And stands upright again and again…
For the fall and the rise are so new every time
That one becomes the other and,
And at the end,
Ecstasy is where there was supposed to be pain…
'Cause no sorrow, no ache, no joy, nor delight
Is never ever the same…
The one that is falling asleep lulled by a magic reddish sunset,
In a golden autumn preceding unknown winds
And profitable storms…
It is me, yes, the one that secretly hopes,
Once awakened by a new dawn,
To meet everything that was never met…
Yes, it is me, lost between shadows and light,
The one that longs for what eyes cannot see,
Ears cannot ear and skin cannot feel…
It is me, imbued in my single unique plurality,
The one who retires in winter and blossoms in spring
Never knowing when one or the other should be…
It is me alright,
The one that has cried out a thousand words
Finding that, after all,
The so longed new meaning
Abides in the endless silence of the whole…
It is me, yes,
The one that stumbles, falls and crawls
And stands upright again and again…
For the fall and the rise are so new every time
That one becomes the other and,
And at the end,
Ecstasy is where there was supposed to be pain…
'Cause no sorrow, no ache, no joy, nor delight
Is never ever the same…
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Retrato sem imagem
Sou uma maré, ora vaza, ora cheia; sou uma lua, ora plena, ora em fase de quarto minguante; sou, num momento, dia e noite, iluminada pelo sol ou ensombrada pelas trevas…Mas tem que ser assim; como poderia eu entender as alturas se me mantivesse apenas nas profundezas? E como poderia entender as profundezas se não me elevasse, ainda que por momentos, às alturas? Como poderia saber da luz se vivesse infinitamente na obscuridade e como poderia ofuscar-me e renascer na claridade se a escuridão fosse a minha continuidade? Por outro lado, como saberia que as trevas são trevas se a luz, tão subtilmente, me não chamasse?Tem picos o meu sofrer; tem altos e baixos a minha vida; tem auge e êxtase a minha alegria, a minha felicidade; e no meio de tudo isso navego, sem qualquer rumo pretendido, ao sabor das ondas do viver! Nem quero trevas, nem quero luz, pois uma e outra são bem-vindas… Nas trevas revejo-me na dor, e na luz no esplendor… As duas são a vida, e não existem uma sem a outra, mas as duas, compreendidas, são o infinito a que me dirijo quase sem perceber!Nas lágrimas e no sorriso me espelho; no júbilo e na tristeza me refaço, no vazio e na plenitude me construo, e morrendo para cada uma dessas coisas, sou coisa sem nome, sem rumo, sem desejo, sou um nada e um tudo, um começo que não acaba e um fim que principia a cada instante…
Perdida e achada
Ora dentro, ora fora de mim,
Sou por vezes tudo e por vezes nada,
E outras vezes ainda, sou apenas assim-assim…
De quando em quando rodopio,
Perdida, num néscio turbilhão,
Ou então renasço, aturdida, na calma insuspeitada da imensidão…
Ora plena, ora vazia,
Abraço o silêncio calando à força as palavras…
Pensando que não penso,
Sentindo que não sinto…
Mas tal como o cheiro da maresia que de bem longe já se sente,
Assim eu pressinto cada verdade recém-nascida,
Cada onda enérgica e pujante da vida…
Então solto as amarras e sigo a corrente desse mar imenso,
Não pensando no que penso
Mas sentindo o que sinto…
Perdida e achada
Ora dentro, ora fora de mim,
Sou por vezes tudo e por vezes nada,
E outras vezes ainda, sou apenas assim-assim…
De quando em quando rodopio,
Perdida, num néscio turbilhão,
Ou então renasço, aturdida, na calma insuspeitada da imensidão…
Ora plena, ora vazia,
Abraço o silêncio calando à força as palavras…
Pensando que não penso,
Sentindo que não sinto…
Mas tal como o cheiro da maresia que de bem longe já se sente,
Assim eu pressinto cada verdade recém-nascida,
Cada onda enérgica e pujante da vida…
Então solto as amarras e sigo a corrente desse mar imenso,
Não pensando no que penso
Mas sentindo o que sinto…
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
Pensar
Por vezes é um verdadeiro corrupio
Quando me ponho a pensar;
Não que eu queira, que nem sempre quero,
Mas o pensamento desabrido,
Qual mero vento de Inverno, repentino e arredio,
Leva-me p’ra longe, muito p’r’álem do ser e do estar!
Então penso um pensar viçoso, vivo, colorido,
Com aquela qualidade fresca e renovada
Que tem uma folha nova, na Primavera, logo depois de ter nascido!
Inebriada vou ao sabor do vento
Que de sopro em rajada me leva céu adentro!
Parece então que deixo de respirar
Tal é a pressa que o vento tem de cavalgar, endiabrado,
Nas nuvens e nas ondas de um mar não mapeado;
É como se fosse uma tarde de Verão este pensamento,
Daquelas que, quentes e possantes, nos deixam lassos;
Não há como resistir: fecho os olhos, abro-lhe os braços
E a ele me entrego de coração!
Mas a páginas tantas enruga-se-me o pensamento:
Parece que fica sem vida, descolorido, inútil, amarelento,
Tão sem sentido como uma folha no Outono
Depois de ter caído.
Por terra, ali fico numa inércia sem fim…
Mas eis que então, como se fosse um alerta,
Sopra ligeiro um vento que me desperta e me faz voar…
E quando dou por mim, queira ou não queira,
Lá estou eu de novo a pensar!
Quando me ponho a pensar;
Não que eu queira, que nem sempre quero,
Mas o pensamento desabrido,
Qual mero vento de Inverno, repentino e arredio,
Leva-me p’ra longe, muito p’r’álem do ser e do estar!
Então penso um pensar viçoso, vivo, colorido,
Com aquela qualidade fresca e renovada
Que tem uma folha nova, na Primavera, logo depois de ter nascido!
Inebriada vou ao sabor do vento
Que de sopro em rajada me leva céu adentro!
Parece então que deixo de respirar
Tal é a pressa que o vento tem de cavalgar, endiabrado,
Nas nuvens e nas ondas de um mar não mapeado;
É como se fosse uma tarde de Verão este pensamento,
Daquelas que, quentes e possantes, nos deixam lassos;
Não há como resistir: fecho os olhos, abro-lhe os braços
E a ele me entrego de coração!
Mas a páginas tantas enruga-se-me o pensamento:
Parece que fica sem vida, descolorido, inútil, amarelento,
Tão sem sentido como uma folha no Outono
Depois de ter caído.
Por terra, ali fico numa inércia sem fim…
Mas eis que então, como se fosse um alerta,
Sopra ligeiro um vento que me desperta e me faz voar…
E quando dou por mim, queira ou não queira,
Lá estou eu de novo a pensar!
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Pensamento
Não ser nada
Ser poeta ou escritor é oferecer,
Assim de mão beijada,
As palavras que esculpiu,
Não querendo em troca nada;
É desejar que fiquem a bailar,
Doces, insistentes, acutilantes,
Na mente de quem as viu.
É querer que façam ninho na mente do leitor
E que, de uma simples palavra, fecunda, inusitada,
Nasça toda uma prole de palavras e actos e gestos deslumbrantes,
Não para que alimentem gente vã e inglória,
Mas para que talhem caminhos diferentes, pujantes,
Para que construam uma nova história.
Ser escritor ou ser poeta é ser tudo o que não é dever,
É ter a alma desperta,
Um coração a ferver que vai moldando o destino;
É viver uma vida incerta,
Escrevendo para ocultar o desejo único, prístino,
De morrer para o mundo e voltar a nascer.
Ser poeta ou escritor é deixar uma porta aberta
Que todos podem franquear;
É soltar a torrente interior e fluir com ela,
E aprender a criar;
É pois ser-se criador,
Não de mundos mas de amor,
Não de seres mas de unidade;
É estar só e albergar no próprio coração,
Inteira, a humanidade.
Ser poeta ou escritor é não o ser,
É não agarrar as palavras em acto de posse
Mas docemente ajeitá-las no peito
E lançá-las ao vento
Sem que com isso se sinta nem despojado
Nem vazio nem sedento.
Ser escritor ou ser poeta é não encerrar lá dentro,
Como se numa gaveta raramente aberta,
O momento em que as palavras nascem;
É deixá-las livres, soltas no tempo,
Ou quietas e bem aninhadas
Na berma duma qualquer estrada
Esperando os que por lá passem!
É não deixar que delas se apodere
O cheiro a bafio de algo velho, ressequido,
É fazê-las correr leves, livres, frescas e límpidas
Como as águas de um rio tranquilo, vivo e célere.
Ser poeta ou escritor não é arte, é expressão;
E da mesma forma que pode ser tomada como estandarte,
Assim mesmo pode ficar silenciada em qualquer rincão.
Não é arte, não, é coração:
E cada palavra uma batida, um ritmo, uma carícia, uma pulsação.
Ser escritor, ser poeta, é para tal não estar talhado,
É não caber nas definições:
É escrever sem regras, sem restrições,
Sentir as palavras apenas porque que se é livre,
Porque o sentir está intacto,
Porque se não foi silenciado à força de nenhum pacto.
É esquecer métricas e lembrar liberdades,
Olvidar tónicas e relembrar imensidões,
É não querer saber de versos ou d’estrofes ou d’estruturas:
É tão só deixar solta a alma e encontrar,
Porque não se procuraram, novas dimensões;
É amar o que as palavras alcançam,
Por entre risos e dores, agruras e aspirações.
Ser poeta, ser escritor, é usar a palavra como ponte,
Ousar levá-la longe, bem longe,
Lá onde dizem habitar o perigo.
É enfrentar quimeras, confrontar ilusões,
Enfrentar monstros, confrontar convicções;
É, dos próprios sonhos, degrau a degrau, subir a escada.
E depois da escalada, tendo encontrado porto de abrigo,
Ser poeta, ser escritor, afinal, vendo bem, é não ser nada!
Assim de mão beijada,
As palavras que esculpiu,
Não querendo em troca nada;
É desejar que fiquem a bailar,
Doces, insistentes, acutilantes,
Na mente de quem as viu.
É querer que façam ninho na mente do leitor
E que, de uma simples palavra, fecunda, inusitada,
Nasça toda uma prole de palavras e actos e gestos deslumbrantes,
Não para que alimentem gente vã e inglória,
Mas para que talhem caminhos diferentes, pujantes,
Para que construam uma nova história.
Ser escritor ou ser poeta é ser tudo o que não é dever,
É ter a alma desperta,
Um coração a ferver que vai moldando o destino;
É viver uma vida incerta,
Escrevendo para ocultar o desejo único, prístino,
De morrer para o mundo e voltar a nascer.
Ser poeta ou escritor é deixar uma porta aberta
Que todos podem franquear;
É soltar a torrente interior e fluir com ela,
E aprender a criar;
É pois ser-se criador,
Não de mundos mas de amor,
Não de seres mas de unidade;
É estar só e albergar no próprio coração,
Inteira, a humanidade.
Ser poeta ou escritor é não o ser,
É não agarrar as palavras em acto de posse
Mas docemente ajeitá-las no peito
E lançá-las ao vento
Sem que com isso se sinta nem despojado
Nem vazio nem sedento.
Ser escritor ou ser poeta é não encerrar lá dentro,
Como se numa gaveta raramente aberta,
O momento em que as palavras nascem;
É deixá-las livres, soltas no tempo,
Ou quietas e bem aninhadas
Na berma duma qualquer estrada
Esperando os que por lá passem!
É não deixar que delas se apodere
O cheiro a bafio de algo velho, ressequido,
É fazê-las correr leves, livres, frescas e límpidas
Como as águas de um rio tranquilo, vivo e célere.
Ser poeta ou escritor não é arte, é expressão;
E da mesma forma que pode ser tomada como estandarte,
Assim mesmo pode ficar silenciada em qualquer rincão.
Não é arte, não, é coração:
E cada palavra uma batida, um ritmo, uma carícia, uma pulsação.
Ser escritor, ser poeta, é para tal não estar talhado,
É não caber nas definições:
É escrever sem regras, sem restrições,
Sentir as palavras apenas porque que se é livre,
Porque o sentir está intacto,
Porque se não foi silenciado à força de nenhum pacto.
É esquecer métricas e lembrar liberdades,
Olvidar tónicas e relembrar imensidões,
É não querer saber de versos ou d’estrofes ou d’estruturas:
É tão só deixar solta a alma e encontrar,
Porque não se procuraram, novas dimensões;
É amar o que as palavras alcançam,
Por entre risos e dores, agruras e aspirações.
Ser poeta, ser escritor, é usar a palavra como ponte,
Ousar levá-la longe, bem longe,
Lá onde dizem habitar o perigo.
É enfrentar quimeras, confrontar ilusões,
Enfrentar monstros, confrontar convicções;
É, dos próprios sonhos, degrau a degrau, subir a escada.
E depois da escalada, tendo encontrado porto de abrigo,
Ser poeta, ser escritor, afinal, vendo bem, é não ser nada!
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